mtMateus
O Livro de Mateus abre o Novo Testamento como um portal literário e teológico que conecta as promessas antigas com a figura de Jesus. Ao narrar o nascimento, o ministério, a morte e a ressurreição de Cristo, Mateus apresenta uma mensagem abrangente: o reino de Deus irrompe na história por meio do Messias, e esse reino redefine identidade, ética e esperança. Por isso, o Livro de Mateus não é apenas um relato biográfico; é uma obra cuidadosamente estruturada para formar discípulos, orientar comunidades e mostrar que a história de Jesus possui alcance universal.
Entre os Evangelhos, Mateus se destaca pela forma como organiza os ensinamentos de Jesus em grandes blocos discursivos e pela ênfase na continuidade entre a fé de Israel e a missão que se expande às nações. O resultado é um texto que dialoga com leitores de diferentes contextos: pessoas que buscam um resumo de Mateus para compreender a narrativa geral, estudantes interessados em “quem escreveu Mateus” e “quando”, e também leitores que procuram versículos de Mateus para devoção e ensino.
Além disso, Mateus oferece uma ética do reino marcante, especialmente no Sermão do Monte, em que Jesus interpreta a vontade de Deus de modo profundo, indo além de comportamentos externos e alcançando intenções, desejos e motivações. Em paralelo, o evangelho enfrenta tensões reais vividas por comunidades cristãs em formação: perseguição, conflitos de autoridade, discernimento sobre falsos ensinos e a necessidade de perseverança.
Ler o Livro de Mateus com atenção é perceber uma dupla dinâmica: a proximidade pastoral de Jesus com os cansados e oprimidos e, ao mesmo tempo, a grandeza de sua autoridade como Rei e Juiz. Essa combinação explica por que Mateus permaneceu central na catequese cristã, na pregação e no estudo bíblico ao longo dos séculos.
| Item | Dados |
|---|---|
| Testamento | Novo Testamento |
| Categoria | Evangelhos |
| Autor (tradição) | Mateus (Levi), discípulo de Jesus e ex-coletor de impostos |
| Período de escrita (estimado) | c. 60–70 d.C. (alguns estudos propõem 70–90 d.C.) |
| Capítulos | 28 |
| Língua original | Grego |
| Tema central | Jesus é o Messias e Rei prometido; seu reino forma um povo discípulo, obediente e enviado ao mundo. |
| Versículo-chave | Mateus 11:28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” |
O Livro de Mateus ocupa o primeiro lugar na ordem canônica do Novo Testamento, funcionando como uma ponte narrativa e teológica. Ele apresenta Jesus como o cumprimento da expectativa messiânica, mas também como o mestre que define a vida do povo do reino.
Mateus está no conjunto dos Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Esses livros narram a vida e o ministério de Jesus, mas cada um o faz com ênfases próprias. Mateus tende a:
De modo geral, o evangelho parece dialogar fortemente com leitores que conheciam as Escrituras de Israel e viviam tensões identitárias: como seguir Jesus e, ao mesmo tempo, compreender a continuidade com a história da fé anterior? Ao mesmo tempo, Mateus culmina com uma visão expansiva: a missão alcança “todas as nações”.
Entre os objetivos mais reconhecidos pelos estudos bíblicos estão:
A tradição cristã antiga atribuiu o evangelho a Mateus (Levi), um dos doze discípulos. Ele aparece na narrativa evangélica como coletor de impostos chamado por Jesus para segui-lo (Mateus 9:9). Essa atribuição se consolidou cedo na história da igreja.
Fontes cristãs antigas associam Mateus ao evangelho que leva seu nome, frequentemente destacando sua ligação com um público com forte herança judaica. Esses testemunhos, embora importantes, não funcionam como “prova” no sentido moderno; são evidências históricas de recepção e atribuição.
O evangelho demonstra:
No consenso acadêmico mainstream, há duas observações frequentes:
Assim, há posições que sustentam:
O período c. 60–70 d.C. é uma estimativa tradicional, embora muitos estudos situem a redação final entre 70 e 90 d.C.. Argumentos usados nesse debate incluem:
Independentemente do recorte mais preciso, o Livro de Mateus reflete um cristianismo suficientemente maduro para sistematizar ensino, práticas comunitárias e missão.
Mateus se passa sob domínio romano, com Herodes e seus sucessores em papéis importantes na Palestina. A vida cotidiana era marcada por:
O período foi caracterizado por intensa interpretação das Escrituras e debates sobre:
Mateus apresenta Jesus inserido nesses debates, mas com autoridade singular: ele ensina “como quem tem autoridade”, reinterpretando a Lei a partir do propósito de Deus para o coração humano e para a justiça do reino.
O evangelho transita por:
O Livro de Mateus é notável por combinar narrativa e ensino, frequentemente agrupando palavras e obras de Jesus em blocos bem definidos.
Uma leitura estrutural comum identifica:
Muitos estudiosos destacam cinco blocos de ensino:
Essa organização torna Mateus especialmente valioso para estudo de Mateus em ambientes de ensino, por facilitar unidades temáticas.
A seguir, um resumo de Mateus por blocos narrativos, com linha do tempo e sugestões de mapas para orientar a leitura.
Mateus inicia com genealogia e narrativa do nascimento, enfatizando identidade e missão. O nascimento de Jesus é apresentado sob tensão: adoração e ameaça coexistem. A perseguição de Herodes e a preservação da criança destacam que o Messias entra em um mundo de disputas de poder.
João Batista chama ao arrependimento e batiza Jesus. Em seguida, a tentação no deserto mostra a fidelidade de Jesus diante de propostas de poder, espetáculo e domínio. Ao iniciar seu ministério, Jesus proclama a proximidade do reino e chama discípulos.
Jesus apresenta as bem-aventuranças, aprofunda o sentido de mandamentos, ensina sobre oração, jejum e confiança em Deus. O foco é uma justiça que excede a mera aparência religiosa. O discurso termina com o chamado à prática: ouvir e obedecer é o fundamento estável.
Curas, libertações e restaurações evidenciam compaixão e autoridade. Jesus acolhe marginalizados e revela que o reino toca corpo, mente e relações sociais. A chamada de Mateus (Levi) sinaliza a inclusão de pessoas vistas como “impróprias” por parte de setores religiosos.
Os discípulos são enviados com instruções práticas e espirituais: anúncio, dependência, coragem em perseguições e fidelidade. O evangelho apresenta missão não como triunfo fácil, mas como testemunho com custo.
A identidade de Jesus vai se aclarando, enquanto a oposição cresce. Aqui se encontra o versículo-chave Mateus 11:28, que convida cansados e oprimidos ao descanso. Paralelamente, críticas e acusações revelam dureza de coração e distorção da religiosidade.
As parábolas comunicam que o reino cresce de modo misterioso e, às vezes, discreto: sementes, fermento, tesouro escondido. O foco não é apenas informar, mas provocar decisão, discernimento e compromisso.
Multiplicações, o caminhar sobre as águas e confissões sobre quem Jesus é apontam para fé e maturidade. A transfiguração revela a glória de Cristo e antecipa a vitória por meio do sofrimento.
Jesus ensina sobre humildade, cuidado com os pequenos, disciplina restauradora e perdão. A comunidade do reino deve unir verdade e misericórdia, buscando reconciliação real.
Ensinos sobre casamento, riquezas, serviço e liderança moldam valores. Em Jerusalém, aumentam debates e denúncias contra hipocrisia religiosa. O foco não é mero ataque, mas o contraste entre aparência e fidelidade interior.
Jesus fala sobre vigilância, perseverança e responsabilidade enquanto se aguarda a consumação. Parábolas como as dez virgens e os talentos destacam prontidão e fidelidade. O juízo final é descrito com forte apelo ético: a fé se manifesta em misericórdia concreta.
A narrativa final concentra traição, julgamento, crucificação e ressurreição. O evangelho termina com a comissão para fazer discípulos entre todas as nações, ensinando obediência e vivendo sob a presença contínua de Cristo.
Mateus fala repetidamente do reino como realidade presente e futura. O reino não é apenas “lugar”, mas governo de Deus que transforma vida, prioridades e justiça.
Aplicação: discernir valores do reino (humildade, misericórdia, verdade) em escolhas cotidianas.
O evangelho enfatiza prática: quem ouve e faz. Discípulos são formados por ensino, correção e missão.
Aplicação: espiritualidade madura integra crença, caráter e ações.
Mateus apresenta Jesus como o clímax da história da fé, sem reduzir essa continuidade a formalismo.
Aplicação: ler a Bíblia como narrativa coerente, em que promessas se realizam e ganham profundidade.
Mateus confronta a religiosidade centrada em aparência e status. A crítica mira a distorção da fé quando ela se torna instrumento de poder.
Aplicação: examinar motivações, praticar integridade e buscar coerência.
O cap. 18 é especialmente formativo para vida comunitária: humildade, cuidado com vulneráveis, correção com objetivo restaurador.
Aplicação: construir relações com verdade e misericórdia, evitando tanto permissividade quanto dureza.
O futuro molda o presente: perseverar, vigiar e agir com responsabilidade.
Aplicação: viver com sobriedade e propósito, traduzindo esperança em serviço e fidelidade.
Mateus 1:21 — “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.”
Contexto: anúncio do nascimento. Significado: a missão de Jesus é apresentada como salvação e restauração.
Mateus 4:17 — “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.”
Contexto: início do ministério. Significado: o reino exige resposta concreta, mudança de direção.
Mateus 5:3 — “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.”
Contexto: bem-aventuranças. Significado: o reino começa com humildade e dependência de Deus.
Mateus 6:33 — “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”
Contexto: ansiedade e provisão. Significado: prioridades do reino reorganizam necessidades e desejos.
Mateus 7:12 — “Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles.”
Contexto: ética do Sermão do Monte. Significado: síntese prática da justiça relacional.
Mateus 11:28 — “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”
Contexto: convite em meio a tensões e rejeições. Significado: Jesus oferece descanso real, não fuga, mas alívio e direção.
Mateus 16:16 — “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Contexto: confissão de Pedro. Significado: marco de identidade messiânica e reconhecimento comunitário.
Mateus 18:20 — “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”
Contexto: vida comunitária e disciplina restauradora. Significado: a presença de Cristo orienta decisões e reconciliação.
Mateus 22:37–39 — “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração… Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Contexto: o grande mandamento. Significado: amor a Deus e ao próximo estruturam toda a vida moral.
Mateus 28:19–20 — “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações… ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias.”
Contexto: encerramento do evangelho. Significado: missão, ensino e presença contínua como fundamento da igreja.
O Livro de Mateus permanece atual porque une teologia e prática. Ele responde a perguntas contemporâneas centrais:
Culturalmente, Mateus influenciou arte, música, literatura e debates sobre ética, justiça e espiritualidade. Em termos pastorais e educacionais, continua sendo base para catequese, formação de líderes e estudos sobre o ensino de Jesus.
Uma abordagem eficiente para estudo de Mateus é seguir as unidades:
Perguntas úteis:
Mapeie as controvérsias com líderes religiosos:
| Dia | Leitura |
|---|---|
| 1 | Mateus 1–2 |
| 2 | Mateus 3–4 |
| 3 | Mateus 5 |
| 4 | Mateus 6 |
| 5 | Mateus 7 |
| 6 | Mateus 8–9 |
| 7 | Mateus 10 |
| 8 | Mateus 11–12 |
| 9 | Mateus 13 |
| 10 | Mateus 14–15 |
| 11 | Mateus 16–17 |
| 12 | Mateus 18–19 |
| 13 | Mateus 20–23 |
| 14 | Mateus 24–28 |
Para um estudo mais aprofundado:
Jesus é apresentado como o Messias e Rei; seu reino inaugura uma nova realidade que forma discípulos e se estende às nações.
A tradição atribui o evangelho a Mateus (Levi), discípulo de Jesus. A pesquisa acadêmica também considera a possibilidade de redação associada a uma comunidade que preservou tradições ligadas a ele.
Comumente se estima entre 60–70 d.C., embora muitos estudos situem a redação final entre 70–90 d.C.
O Livro de Mateus tem 28 capítulos.
Um dos mais conhecidos é Mateus 11:28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”
Mateus está no Novo Testamento, na seção dos Evangelhos.
Porque organiza de forma abrangente a identidade de Jesus, sua ética do reino e a missão discipuladora, influenciando profundamente ensino cristão e vida comunitária.
É a forma característica do evangelho para falar do governo de Deus: sua autoridade salvadora e transformadora atuando na história e culminando no futuro.
Apresentar a justiça do reino: uma vida transformada internamente, expressa em humildade, reconciliação, pureza de coração, amor ao próximo e confiança em Deus.
Sermão do Monte (5–7), discurso missionário (10), parábolas do reino (13), discurso comunitário (18) e discurso escatológico (24–25).
Jesus, João Batista, os doze discípulos (com destaque para Pedro), líderes religiosos (fariseus e escribas), Herodes, Pilatos, Judas, Maria e José.
Os dois aparecem fortemente, mas Mateus é especialmente reconhecido por organizar grandes blocos de ensinamento, sem separar isso dos sinais que confirmam a chegada do reino.
Mateus destaca perdão como prática essencial do discípulo e como fundamento de reconciliação comunitária (especialmente no cap. 18), vinculando perdão a humildade e restauração.
Termina com a ressurreição e a comissão para fazer discípulos de todas as nações (28:19–20). Isso mostra que a história de Jesus culmina em missão contínua e presença permanente de Cristo com seu povo.
Ler por blocos (especialmente os grandes discursos), observar aplicações práticas do ensino de Jesus e discutir como a comunidade pode viver perdão, justiça e missão de modo concreto.