O Enquadramento Inicial:
João está à beira do mar e vê uma agitação que sobe do mar, uma imagem bíblica comum associada ao caos e a poderes ameaçadores (cf. Rev. 13:1; também Is 57:20). A cena sucede Apocalipse 12, onde o dragão (Satanás) volta sua ira contra o povo de Deus e busca novos instrumentos para fazer guerra (Rev. 12:17).
As Imagens Centrais:
| Símbolo | Significado / Interpretação |
|---|---|
| A besta que vem do mar (Rev. 13:1–10) | Representa poder político anti-Deus que persegue e exige lealdade. A imagem ecoa Daniel 7, onde bestas simbolizam impérios opositores ao reino de Deus (Dan. 7:3–7). A besta do mar encarna um padrão recorrente de governo opressor, visto em Roma na época de João, mas apontando também além dela para uma intensificação da oposição nos tempos finais. |
| Sete cabeças e dez chifres (Rev. 13:1; 17:9–12) | Em Apocalipse, tais características significam autoridade governamental e poder de reinos. O próprio Apocalipse interpreta mais adiante as cabeças e os chifres em relação a reis/reinos (Rev. 17:9–12). O ponto não é mera curiosidade, mas o amplo e organizado alcance do poder bestial. |
| O dragão dando autoridade (Rev. 13:2, 4) | O poder da besta é derivado—ela é energizada pelo dragão, identificado antes como “aquele que havia de enganar… o diabo e Satanás” (Rev. 12:9). A visão desmascara a fonte espiritual por trás dos poderes perseguidores. |
| A “ferida mortal” curada (Rev. 13:3) | Um contrafato da ressurreição destinado a provocar assombro e adoração. As interpretações variam: pode refletir a resiliência do governo opressor (uma “revitalização” política) ou um eco histórico específico (por exemplo, mitos imperiais). O impulso teológico é claro: o mal imita o poder vivificante para assegurar lealdade que pertence só a Deus. |
| Quarenta e dois meses (Rev. 13:5) | Um período limitado de opressão, paralelando 1.260 dias / tempo, tempos e metade de um tempo (Rev. 11:2–3; 12:6, 14; Dan. 7:25). Indica que a perseguição é real, porém limitada pela soberania de Deus. |
| A besta que vem da terra (Rev. 13:11–18) | Representa propaganda religiosa/ideológica enganosa que sustenta o domínio da besta. Ela parece “semelhante a um cordeiro” (uma semelhança falsificada com Cristo, o Cordeiro) mas fala com a voz do dragão—sugerindo falsas religiões e persuasão coercitiva que desviam a adoração de Deus. Muitos cristãos chamaram essa figura de “falso profeta” (cf. Rev. 16:13; 19:20). |
| “Imagem da besta” (Rev. 13:14–15) | Evoca idolatria—uma representação visível que exige honra. No contexto do primeiro século, naturalmente lembra pressões em torno da adoração imperial e da religião cívica; mais amplamente, retrata devoção forçada a uma “ordem sagrada” rival. |
| A marca na mão ou na testa (Rev. 13:16–17) | Significa lealdade e pertencimento que afeta a vida pública e a participação econômica. É uma paródia sombria do selo de Deus sobre o seu povo (Rev. 7:3–4; 14:1) e contrasta com a linguagem da aliança, onde os mandamentos de Deus são sinais (Dt. 6:6–8). A ênfase bíblica é em lealdade expressa no pensamento (testa) e na ação (mão), não em mera curiosidade sobre mecanismos. |
| O número 666 (Rev. 13:18) | Chamado “o número da besta” e “o número de um homem”. Muitos intérpretes o ligam à gematria (letras com valores numéricos). Uma leitura histórica bem conhecida o associa a Nero César, refletindo o pano de fundo da perseguição romana, embora haja divergência de opiniões. O objetivo pastoral do texto é discernimento: reconhecer o poder humano e idólatra que fica aquém da perfeição divina. |
Interprete os símbolos primariamente por meio da Própria Escritura, evitando simbolismos modernos ou especulativos.
Apocalipse 13 comunica uma mensagem sóbria, porém clarificadora:
Perspectiva de cumprimento (equilibrada):
No mundo romano, as práticas do culto imperial (honrar o imperador com devoção religiosa) podiam estar entrelaçadas com festas públicas, corporações de ofício e identidade cívica. Recusar tais atos podia levar à exclusão social ou dificuldade econômica, ajudando a explicar por que Apocalipse conecta adoração, coerção e a capacidade de “comprar ou vender” (Rev. 13:16–17). A visão de João enquadra isso não meramente como política, mas como uma disputa por adoração e lealdade última.
“Se alguém para o cativeiro for, para o cativeiro irá; se alguém pela espada matar, pela espada deve ser morto. Aqui está a perseverança e a fé dos santos.” — Apocalipse 13:10 (NVI)
Responda as perguntas abaixo. Ao escolher uma alternativa, você verá o resultado e uma explicação.
1. Que combinação de características é usada para descrever a besta que vem do mar?
2. O que a segunda besta da terra impõe que esteja relacionado à compra e venda?