A Cena Inicial:
João vê no céu “outro sinal” que é “grande e maravilhoso”: sete anjos que seguram as sete últimas pragas — “pois nelas se cumpre a ira de Deus” (Apocalipse 15:1). Ele também vê algo como um mar de vidro misturado com fogo, e os que haviam vencido a besta em pé ao lado dele, cantando o cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro (15:2–4). O templo/tabernáculo celestial se abre, os anjos saem com vestes limpas, e uma das criaturas viventes dá-lhes sete taças de ouro cheias da ira de Deus. O santuário se enche de fumaça proveniente da glória de Deus, e ninguém pode entrar até que as pragas se completem (15:5–8). Uma voz alta que vem do templo ordena: “Vão e derramem sobre a terra as sete taças da ira de Deus” (16:1).
As Imagens Centrais:
João então observa as sete taças sendo derramadas em sequência:
| Símbolo | Significado / Interpretação |
|---|---|
| Sete taças da ira | Uma derrama completa (sete vezes) do juízo divino. A imagem ecoa as “taças” de ira do Antigo Testamento dirigidas a nações (p.ex., Isaías 51:17, Jeremias 25:15–17) e o cenário do templo sublinha que o juízo procede da santidade e da justiça de Deus (Apocalipse 15:5–8). |
| Mar e águas transformados em sangue | Um juízo reminiscentes das pragas do Egito (Êxodo 7:17–21). No contexto do Apocalipse também responde ao clamor por justiça sobre o sangue dos santos (Apocalipse 6:9–11; 16:5–6), retratando uma retribuição que corresponde à violência dos perseguidores. |
| Trevas sobre o reino da besta | Também remete à praga das trevas no Egito (Êxodo 10:21–23). Representa o desmantelamento do governo opressor da besta e a exposição de sua falsa “luz”, ao mesmo tempo em que evidencia a dureza do coração: o sofrimento não produz automaticamente arrependimento (Apocalipse 16:10–11). |
| Secamento do Eufrates | No Antigo Testamento, o Eufrates marcava uma fronteira imperial e rota de invasão (Assíria/Babilônia). O secamento das águas pode simbolizar Deus removendo barreiras para o juízo ou a derrocada (cf. Isaías 11:15–16; comparar com a queda da Babilônia em Jeremias 50–51). No Apocalipse prepara o caminho para o ajuntamento de poderes hostis, mas sob a direção soberana de Deus (Apocalipse 16:12). |
| Espíritos impuros como rãs | Engano demoníaco (Apocalipse 16:13–14). A imagem das rãs remete novamente ao Egito (Êxodo 8:1–15) e descreve “sinais” falsos que atraem governantes a resistir a Deus — uma representação apocalíptica da guerra espiritual por trás da rebelião política. |
| Armagedom | Um lugar simbólico de reunião para o confronto final (Apocalipse 16:16). O nome evoca provavelmente Megido, um sítio estratégico de batalhas históricas em Israel (Juízes 5:19; 2 Reis 23:29). O Apocalipse o usa para comunicar a concentração climática do mal contra Deus, e não para fornecer um mapa detalhado para especulação moderna. |
| “Está consumado!” | Uma declaração de conclusão: o propósito judicial de Deus alcançou seu fim determinado (Apocalipse 16:17). A linguagem paralela aparece em outras passagens bíblicas sobre conclusão (cf. João 19:30 em contexto diferente), enfatizando que a história caminha para a conclusão determinada por Deus. |
| Babilônia, a grande | Símbolo profético do sistema mundial idólatra e oposto a Deus — frequentemente associado ao império arrogante e à sedução econômica (desenvolvido em Apocalipse 17–18). Evoca os oráculos do Antigo Testamento contra a Babilônia como paradigma do poder opressor (Isaías 13–14; Jeremias 50–51). |
Interprete os símbolos primordialmente à luz das Escrituras, evitando simbologia moderna ou especulativa.
As sete taças comunicam o juízo final, público e abrangente de Deus contra o mal persistente — e a vindicação da santidade de Deus e do sangue do seu povo.
Quanto ao cumprimento, os cristãos divergem sobre como mapear precisamente esses juízos em eventos históricos. Muitos leem as taças como futuras e climáticas, enquanto outros veem padrões tipológicos de juízo divino que se repetem ao longo da história e culminam no fim. O próprio texto enfatiza certeza e consumação mais do que uma cronologia detalhada.
Imagética do templo e das “taças”: No culto de Israel, o tabernáculo/templo representava a presença santa de Deus (Êxodo 40; 1 Reis 8). A cena do santuário celestial se abrindo (Apocalipse 15:5) enquadra os juízos como fundamentados na aliança — Deus age não como um deus caprichoso, mas como o Senhor santo que julga o mal e defende o seu nome. As “taças” (recipientes largos) também se encaixam na liturgia do templo, fazendo com que os juízos derramados pareçam um ato solene e sacerdotal de justiça divina, e não catástrofes aleatórias.
“O sétimo anjo derramou a sua taça no ar; e saiu do templo, do trono, uma voz forte que dizia: ‘Está consumado!’” — Apocalipse 16:17
Responda as perguntas abaixo. Ao escolher uma alternativa, você verá o resultado e uma explicação.
1. O que um dos seres viventes deu aos sete anjos?
2. Durante qual taça uma voz alta do templo diz, “Está consumado!”?