A Cena Inicial:
João é levado ao tribunal celestial onde Deus está entronizado em majestade (Apocalipse 4). Nesse quadro de adoração e governo soberano, a atenção volta-se para um objeto decisivo na mão de Deus: um rolo cujo conteúdo ainda não foi revelado.
As Imagens Centrais:
| Símbolo | Significado / Interpretação |
|---|---|
| O rolo selado com sete selos | Representa o propósito autoritativo e oculto de Deus para juízo e redenção na história—seu “decreto” que só Ele pode revelar e executar. A escrita “por dentro e por fora” sugere plenitude/conteúdo completo (Apocalipse 5:1; comparar Ezequiel 2:9–10). Os selos indicam que o plano está fechado até ser aberto pelo agente legítimo (Apocalipse 5:1–3). |
| “Digno” de abrir o rolo | Dignidade aqui é qualificação moral e real para cumprir os propósitos de Deus. A visão enfatiza que a história não se revela por poder, conhecimento ou status angelical, mas por autoridade concedida divinamente fundada em vitória fiel (Apocalipse 5:2–5). |
| O Leão de Judá / Raiz de Davi | Títulos messiânicos que apontam para Jesus como o Rei prometido da linhagem de Davi (Gênesis 49:9–10; Isaías 11:1, 10). “Venceu” enquadra a vitória de Cristo como decisiva e cumpridora da aliança (Apocalipse 5:5). |
| O Cordeiro morto e, ainda assim, em pé | Um paradoxo central do Apocalipse: o Messias vence por meio da morte sacrificial e da ressurreição. Evoca a libertação da Páscoa (Êxodo 12) e a imagem do servo sofredor de Isaías (Isaías 53:7). “Em pé” indica triunfo vivo após a morte (Apocalipse 5:6). |
| Sete chifres e sete olhos | Os chifres simbolizam força e poder real; o “sete” indica completude. Os olhos são interpretados no texto como os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra, expressando a perfeita presença e conhecimento de Deus por meio do Espírito (Apocalipse 5:6; comparar Zacarias 4:10). |
| Harpa e tigelas de incenso (orações) | Imagens de adoração e sacerdócio: o tribunal celestial apresenta as orações dos santos diante de Deus, destacando que os crentes que sofrem são ouvidos e incluídos nos propósitos divinos (Apocalipse 5:8; comparar Salmo 141:2). |
| O cântico novo | Um hino de celebração por uma nova obra salvífica de Deus. O cântico interpreta a morte do Cordeiro como resgate que forma um povo mundial e os faz “um reino e sacerdotes” (Apocalipse 5:9–10; comparar Êxodo 19:5–6; 1 Pedro 2:9). |
Cautela interpretativa: Os cristãos divergem quanto a como os julgamentos dos selos posteriores (Apocalipse 6–8) se alinham com eventos históricos específicos. Apocalipse 5, contudo, é claro em sua afirmação central: só Cristo, o Cordeiro morto e ressuscitado, é digno de revelar e executar o plano de Deus.
Esta visão é, primordialmente, uma revelação da soberania divina e da dignidade única de Cristo.
O que Deus comunica:
O sentido e o desfecho da história não são aleatórios nem controlados por impérios terrestres. Deus segura o rolo—seus propósitos estão seguros (Apocalipse 5:1). Ainda assim, o plano de Deus é aberto e levado adiante por meio do Cordeiro, mostrando que a vitória de Deus se realiza pelo fiel sofrimento e triunfo do Messias (Apocalipse 5:5–7).
Para o público original:
Crentes diante do poder romano e de pressões locais ouviriam uma garantia: o verdadeiro soberano não é César, mas Deus, e o verdadeiro “conquistador” é Jesus. As suas orações importam (Apocalipse 5:8), e o sofrimento da igreja não é esquecido, mas reunido no desenrolar da justiça e redenção de Deus.
Salvação e missão:
A obra do Cordeiro é descrita como resgate—comprando pessoas “de toda tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse 5:9). A visão vincula adoração à missão e à identidade: os redimidos são formados em um reino sacerdotal (Apocalipse 5:10).
Horizonte escatológico (sem cronologias especulativas):
Apocalipse 5 prepara o cenário para a abertura dos selos (Apocalipse 6). Muitos intérpretes veem um cumprimento em camadas: realidades que começaram com a morte/ressurreição de Cristo e continuam na era da igreja, avançando para um clímax final quando a justiça e renovação de Deus serão plenamente reveladas. O texto enfatiza certeza e autoridade, não um cronograma detalhado.
No mundo mediterrâneo antigo, documentos selados (decretos legais, testamentos e editos oficiais) eram fechados com cera ou argila, marcados por selos que indicavam autoridade e impediam violação. Um rolo selado com sete selos transmite segurança e finalização completas: o conteúdo está protegido até ser aberto por aquele que tem direito legítimo. A visão de João usa essa familiar imagem jurídico-política para proclamar que os propósitos de Deus para o mundo estão protegidos e só podem ser executados pelo Rei legítimo—Jesus, o Cordeiro (Apocalipse 5:1–5).
“E entoavam um cântico novo, dizendo: ‘Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus pessoas de toda tribo, língua, povo e nação.’” — Apocalipse 5:9 (NVI)
Responda as perguntas abaixo. Ao escolher uma alternativa, você verá o resultado e uma explicação.
1. Como era o rolo na mão direita daquele que estava sentado no trono?
2. Depois que um dos anciãos anuncia o Leão da tribo de Judá, o que João realmente vê?